quinta-feira, 5 de maio de 2011

ÍDOLOS

Elis ,Caetano, Francisco,
Djavan – rei magnífico,
meu imperador Vinícius,
e  grande rei Tom!

Me socorram estou afundando,
num imenso mar de lama,
cercado pela fama,
desta gente ignorante.

Querem falar de poesia,
mas é tudo hipocrisia.
Iludem a multidão,
vendem bosta por canção.

E nestas letras vazias,
nem parece alegria,
esta coisa que eles têm,
de querer ganhar vintém,
daqueles que menos têm

ROTINA DA ROÇA

De manhãzinha, lá na beira do riacho,
tem um galo que é tão macho,
e que não pára de cantar.
Abro a porteira do barraco que é tão baixo,
olho o mundo e me despacho
para o trabalho executar.
E no caminho, vou pensando nesta vida,
recordando meus amores ,
e o galo a cantar.
Imaginando como a vida é engraçada,
uns tem tanto e outros tem nada,
e o galo a cantar.

E o galo canta...cocoró,
que o galo canta...cocoró,
que a gente canta...cocoró
coró...coró

O vento sopra, a galheira se enrosca,
quase fura minha bota,
continuo a caminhar.
De vez em quando um mosquito me perturba,
penso que a gente madruga,
tenta a vida melhorar.
Tantos problemas, desta vida aqui da roça,
de quem vive na palhoça,
com os filhos para criar.
Mas é difícil porque os homens lá de cima,
não sabem o que é vida dura,
só sabem cocorocar.

E o galo canta...cocoró,
que o galo canta...cocoró,
que a gente canta...cocoró
coró...coró



PÃO COM MORTADELA

Patrão me disse,
para eu Ter produtividade
trabalhar com qualidade
para aumentar a produção.

Patrão me disse,
o custo tá muito alto,
ta tendo muito assalto,
tá sem jeito , sem condição.

Mas meu patrão,
deixa de reclamação,
vamos comigo para o mato,
comer pão com mortadela,
tomar pinga com limão,
e sentado na escada,
vamos tocar violão.

Patrão , quero um fogão de lenha,
um papo com meu irmão,
passear  de caminhão,
e voltar àqueles tempos,
la no meio do sertão.
onde não havia patrão.

PATRÃO

Você diz que eu não sirvo para forjar,
você diz que eu não sirvo para tecer.
Você, faz pouco das minhas qualidades,
mas sei que não é por maldade,
foi a tua condição que te fez assim.

E assim vamos tocando nosso barco,
você la na mansão e eu no barraco.
Degladiamo-nos no espaço,
mas é que tudo é muito escasso,
e que te sobra é o que me falta .

As vezes quando olho toda a filharada,
querendo sapato, escola e de comer.
Eu penso na tua industria, tua invernada,
e até perco a vontade de viver.

Mas quando a noite é enluarada,
eu olho no horizonte e vejo a estrada.
Analiso frio, dou uma gargalhada.
Fico contente:
nós dois vamos morrer...

OPERÁRIO

Sou operário sem medida,
que trabalha noite e dia,
para construir nação,
para recolher impostos,
e para justificar meu pão.

Sou operário da armadilha,
companheiro desta pilha, 
na busca da solução.

Sou operário desgraçado,
sem emprego ou empregado,
na favela do barraco,
ou no barraco do sertão.

Sem justiça e com temor,
vendo filmes de terror,
nas ruas por onde passo,
no meu mundo tão escasso,
ainda esboço amor.

MUNDO QUE EU QUERIA

Mundo sem países
Mundo sem fronteiras
Mundo sem governo
Mundo sem leis
Mundo sem polícia
Mundo sem fiscal
Mundo sem juiz
Mundo sem tribunal
Mundo sem contrato
Mundo sem guerra
Mundo sem arma
Mundo sem inveja
Mundo sem moeda
Mundo sem política
Mundo sem economia
Mundo que eu queria
Mundo da razão
Mundo da ciência
Mundo da emoção

LÍRIOS

Olhai os lírios ,olhai,
e vê como é boa a paz.
Buscar ,progredir ,evoluir é preciso,
porém viver muito mais.

Numa nave que passou,
a lua eu atingi.
Num momento de pavor,
uma bomba explodi.

E foram crianças pr’os ares,
magoando os olhares,
de quem nos criou.
E foram armas p’ro céu,
ameaçando os princípios,
de quem mais amou.

Mas ainda é tempo,
de reconstruir monumentos,
que Deus nos deixou.

Vamos rever todos os planos,
limpar oceanos e os ares do céu.
Reconstruir toda a vida,
e deixarmos assim,
a lei dos lírios vencer